sábado, 19 de janeiro de 2008

Dialogando com Yamandú e Hamilton no Ibira

O BARRIGA estava lá no Show do Yamandú Costa e do Hamilton de Holanda e... sinceramente, está sem palavras!


BARRIGA - ... (...)... Demais! Nada como deixar de lado tudo para ouvir de um diálogo interessante entre dois interpretes.
Nos poucos momentos de diálogo verbal, cada um usa o seu tipo de timidez para conquistar a platéia!
Hamilton se mostra um pouco mais extrovertido, encabeçando a apresentação das músicas - o que eu acho indispensável em um show instrumental - enquanto Yamandú esconde uma certa doçura com um ar mais seco, falsamente sisudo, atrapalhado com um microfone que não funciona! (Mesmo no Auditório Ibirapuera, não se deixa de estar no Brasil).
Variando entre a aparente timidez e a inquestionável segurança quando acompanhados de seus instrumentos, os artistas logo ficam a vontade... E o público segue o exemplo!
Sem dúvida posturas muito simpáticas! Não há estrelismo, nem egotrip, nem muita firula...
Nem precisa mesmo... Eles estão alí para tocar! Não para serem vistos!

O diálogo mesmo se dá nos números musicais, onde tudo vira conversa!

Do lado de lá do palco, apesar da virtuosidade e da "fritadeira"dos músicos "Papa-léguas"(como geralmente são chamados, segundo o próprio Yamandú), deixamos de enxergar o instrumento e ficamos todos inteiramente ligados nessas duas figuras que são a combinação de um violão de sete cordas, um Bandolin de 10, e das caretas, expressões, movimentos, andamentos, ruídos... E então... Zap!
De repente você está em cima do palco, com eles, trocando idéia... É como ser um primo tímido, ainda pouco enturmado, que prefere fica só ouvindo o assunto com interesse.
Donos de um maravilhoso trabalho, a dupla compila neste show desde lindas e sentimentais valsas, até sambas e choros muito animados, sempre em arranjos lindíssimos, que exploram as mais inusitadas variações de dinâmica, e a precisão das intermináveis frases melódicas em velocidade de tirar o fôlego.
Os destaques do Show são:
A composição de Hamilton chamada ESTAÇÕES, composta durante o período em que morava na França, com um tema muito marcante, que flerta com a música e o universo do Flamenco.
E o inacreditável SAMBA DO RAPHA (não sei se é esse mesmo o nome)do Yamandú, dedicado ao violonista já falecido Raphael Rabello, e o seu jeito de interpretar sabas no violão que, por definição do próprio autor, é "um samba sacana, no bom sentido".
E o melhor de tudo... O Show foi a gravação de um CD ao Vivo!


Um comentário:

Ivan Oliveira disse...

Pouco hein? Duas feras!

Não pude ir a esse show! Vi reportagens e um trecho na Tv Cultura. Interessante você achar receptivo e confortável, deve ter sido isso mesmo.
Engraçado que antes não gostava das parcerias que Yamandú fazia, porém , desde que ele tocou com o João Bosco as apresentações estão cada vez mais fantásticas.

Excelente programa!